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  14/10/2019 às 17h04

Super Dica de Cinema: Projeto Gemini - Crítica


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Super Dica de Cinema: Projeto Gemini - Crítica

 

No final dos anos noventa, início dos anos dois mil, vários filmes de espionagem começaram a surgir trazendo sequências de ação bem coreografadas e uma aventura intrigante em tela. Os anos passam, e quando um roteiro de 1997 é ressuscitado, o resultado é um festival de clichês e didatismo, pautado no carisma do protagonista e no talento do diretor para ação, contudo sem qualquer solidez em sua narrativa!

Henry Brogan é o melhor assassino de elite que existe e após anos de trabalho para o governo, decide se aposentar. Porém, quando um agente tão bom quanto ele passa persegui-lo, ele se vê em uma trama que o colocará frente a frente com uma organização que pretende dar fim a "pontas soltas" de um projeto que envolve clonagem e aprimoramento genético. Sendo que uma dessas duplicatas é a sua!

Ang Lee comanda a produção trazendo uma estética inovadora e repleta de novas tecnologias para suas sequências de ação. O diretor de O Segredo de Brokeback Mountain e As Aventuras de Pi realiza um espetáculo visual com uma captura de imagem a 120 FPS (frames por segundo), renderizado ao final em 60 FPS, quase 3 vezes mais que o normal de apenas 24 FPS, gerando uma profundidade diferenciada ao 3D, que contribui para uma imersão espantosa do espectador.

Logo, a câmera percorre todos os ambientes, passando por corredores, ruas estreitas, por entre carros, tratando de realizar uma visão em primeira pessoa durante as cenas de combate.

Desta forma, a partir dessa tecnologia é possível perceber o quão apegado aos aspectos técnicos a produção está, empregando todo o esforço para realizar grandes momentos que realmente irão preencher a tela inteira com uma ação desenfreada, principalmente nas cenas em Cartagena, onde o filme a atinge o ápice, onde motos se tornam praticamente armas e o protagonista é colocado, duplamente, em diversas situações de extremo esforço físico. Lee também se propõe a realizar um cinema de ação artístico, com uma estética que realiza uma atemporalidade no design de produção, demonstrada nos cenários e elementos.

Entretanto a narrativa é um "mais do mesmo" que certamente funcionaria na década de noventa, ou no início dos anos 2000, vindo com aquela leva de produções que trouxeram A Identidade Bourne, entre outros. A temática que envolve um projeto do governo para clonar seus melhores agentes e usa-los como armas sem sentimos ou qualquer conexão com os eventos, também foi apresentada por outras obras como em Soldado Universal, ou seja, infelizmente o roteiro criado a mais de vinte anos não se sustenta dentro de uma nova forma de se pensar espionagem no cinema, onde os eventos são mais arquitetados e as tramas envolvem mais do que simplesmente uma vingança pessoal. E nesse aspecto Ang Lee não sabe o que fazer com o texto revisado de David Benioff, ao criarem uma trama de ficção científica, tentam incluir elementos cômicos que em determinados momentos acabam reduzindo a seriedade que se tenta estabelecer nos outros instantes, principalmente os dramáticos. A história permeia os conflitos internos de quem trabalhou anos realizando a mesma tarefa e teve que se privar de uma vida normal, ademais apresenta o conflito de quem é apenas uma cópia, entregue a uma realidade que o faz executar os mesmos trabalhos de seu original, mas sem a essência e emoções. E apesar destas nuances existirem, nenhuma consegue o espaço adequado durante as mais de duas horas de exibição, caindo sempre no didatismo e clichês já esperados, além de situações que esteticamente foram emuladas de franquias conhecidas como Velozes e Furiosos.

Projeto Gemini é aquele filme que infelizmente estreou em uma época onde sua história já foi contada em outras produções, de um jeito diferente e sem a mesma estética revolucionária, mas ainda assim já existe. Contudo a direção de Ang Lee transforma o gênero de ação em artístico e inspirador, apresentando uma nova tecnologia capaz de gerar no espectador uma imersão ainda não experimentada na sala de cinema, podendo tornar-se uma tendência para os próximos anos da sétima arte e adotada por franquias famosas.

Enfim, Will Smith consegue demonstrar novamente seu brilhantismo na atuação, indo da emoção a introspecção, nos convencendo de que existem dois de si em tela, porém não há como apenas seu carisma suportar a película, assim como os aspectos técnicos, fazendo com que se torne uma históriaesquecível, desleixada e pouco interessante.

O resultado é literalmente um clone de outros filmes! Até melhor fisicamente, aprimorado, mas sua essência é vazia, sem conteúdo e totalmente descartável!

Por Geek Guia

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