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  30/12/2019 às 10h45

Super Dica de Cinema - Cats e Minha mãe é uma peça 3


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Super Dica de Cinema - Cats e Minha mãe é uma peça 3

Super Dica de Cinema – Minha Mãe é uma Peça 3

Minha Mãe é uma Peça se tornou uma das obras mais prestigiadas no Brasil nos últimos anos.

A peça teatral de Paulo Gustavo alcançou um público vasto além de fundamentar a carreira do ator como um dos grandes nomes da comédia nacional. Logicamente, a adaptação cinematográfica do espetáculo, que já ganhou duas produções, chegaria a sua terceira parte, principalmente por conta dos filmes anteriores terem levado mais de 13 milhões de pessoas ao cinema.

Mas será que Dona Hermínia ainda consegue contar boas histórias sobre o seu dia a dia ou caímos na velha maldição das comédias nacionais onde as continuações são apenas repetições incansáveis em cenários diferentes?

Dona Hermínia está sozinha!

Há meses sem receber os filhos em casa, a senhora agora vive uma rotina simples, até o momento em que a notícia do casamento do filho mais novo e o nascimento do segundo neto mexem totalmente com a mãe da família. Assim, entre tentar ajudar a filha durante a gravidez, os preparativos do casamento e as brigas com o ex-marido, Dona Hermínia ainda tentará encontrar um tempo para aproveitar o que bem entender!

Susana Garcia dirige o terceiro filme da franquia da mãe que está sempre enraivecida por alguma coisa ou com alguém. E sem demonstrar nada de novo no comando, a direção realiza o mesmo que os filmes anteriores. Câmera estática, planos convencionais e um apego ao improviso que diversas vezes não surte o efeito desejado.

Por mais que as piadas arranquem gargalhadas do público, as situações criadas são praticamente iguais aos longas antecessores. Ainda que cause uma familiaridade ao ritmo e ao timming cômico de Paulo Gustavo, a inovação passa longe em momentos que são desperdiçados pela falta de direcionamento ao ator.

Isso faz com que o ritmo da produção se torne arrastado, sendo que os primeiros vinte minutos é uma constante reprodução de falas e piadas que já ouvimos da personagem em ocasiões passadas!

Essas repetições constantes são resultado de uma narrativa que ignora fatos que foram apresentados e se prende em contar uma história que parece não fazer conexão alguma com os elementos que quer apresentar!

As piadas sobre o peso de Marcelina continuam!

As brigas com o ex-marido permanecem e sempre usando das mesmas frases!
As desavenças com as irmãs são pelas mesmas coisas dos filmes anteriores!
Apesar das novas problemáticas, a personagem principal parece que não consegue evoluir e quando raramente aparenta ter entendido o que está a sua volta, uma piada quebra toda e qualquer construção que o roteiro possa ter dado início.

Ao mesmo tempo, quando apresentada uma antagonista à altura de Hermínia, não fica entendido o porquê do embate, que rapidamente é resolvido com uma cena que beira Os Trapalhões, não pela qualidade cômica, mas pelo constrangimento mesmo. E nesse mais do mesmo de Niterói, ficam inúmeras pontas soltas: O que aconteceu com o programa de Hermínia? E a carreira de Marcelina que estava começando? Onde foi parar o emprego de Juliano? Se ao final do segundo filme, Dona Hermínia entrava nos Estados Unidos, por que neste ela disse estar no país pela primeira vez junto da amiga?

Por mais que se trata de uma comédia simples, esses pontos esquecidos do roteiro poderão tornar a experiência estranha diante das sequências apresentadas fazendo com que praticamente o segundo longa da franquia seja ignorado!
Contudo, existem algumas mensagens interessantes, mas nada profundas, entregues pela narrativa. Aceitação, liberdade, a importância da família, são algumas nuances trabalhadas, ainda que superficialmente e sem a capacidade criativa de realmente se criar um momento importante.

Minha Mãe é uma Peça 3 certamente será um sucesso de público! Nas sessões de estreia, do dia 26 de dezembro, as filas eram enormes e as salas estavam lotadas com pessoas de idades diversas e esse fenômeno é um mérito que não se pode jamais revogar da obra de Paulo Gustavo! Contudo, as repetições no roteiro e a falta de um comando mais experiente na construção do ritmo do filme, fazem com que esta terceira parte soe como um episódio perdido da futura série de Dona Hermínia. Um episódio desconexo, incoerente, que ignora fatos e não se propõem a explicar situações importantes.

Se toda mãe passa por situações de preocupação, raiva, frustração, insegurança, felicidade e tranquilidade ao longo da jornada, aqui temos uma amalgama de todos esses sentimentos em uma única persona! É como se Dona Hermínia fosse um "Megazord" das mães brasileiras, capaz de destruir uma cidade para que o filho leve o casaco ou ligue ao menos para dizer que está vivo!

Aliás, você já fez isso hoje?

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