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  20/01/2020 às 14h30

Super Dica de Cinema | O Escândalo


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Super Dica de Cinema | O Escândalo

Uma das grandes realizações que o cinema consegue provocar são os diferentes pontos de vista quando uma produção acaba. Boa ou ruim, péssima ou maravilhosa, você acaba escolhendo um lado! Já o crítico, aquele que comenta logo após as luzes se acenderem, possui o papel de analisar cada detalhes do filme, técnico, atuação, narrativa e chegar a uma determinada conclusão, que certamente será lida ou ouvida por muitos.

Por isso, O Escândalo é uma dessas produções que conseguem causar vários tipos de interpretações e pensamentos ao final de sessão, mas o mais o importante é que quando se trata de um assunto como assédio, não há como não chegar ao mesmo resultado de que isto deve acabar em qualquer ambiente profissional!
Sendo assim, fazer um escândalo é mais que o suficiente!

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Gretchen Carlson (Nicole Kidman) é uma apresentadora da Fox News que vê sua carreira ser alvo constante dos ataques do CEO da emissora, Roger Ailes, a rebaixando dentro da programação. Logo, ela decide processá-lo por assédio sexual, devido a inúmeras atitudes do até então chefe. Isso colocará Megyn Kelly (Charlize Theron) e Kayla Pospisil (Margot Robbie) na mesma história, cada uma com seu ponto de vista, relato, dentro do mesmo escândalo.

Jay Roach é quem comanda a produção que se encarrega de revelar os acontecimentos que levaram as acusações de assédio do diretor do canal, em plena eleição que deu a Donald Trump a vitória.

O diretor por mais que se esforce emula um estilo já conhecido de outras histórias que possuem a intenção de trazer os bastidores das notícias, o que ocorre nas redações jornalísticas e os fatos por detrás daqueles que os apresentam!

Para isso, diversas vezes, e se apoiando no carisma e talento de seu elenco principal, o comando quebra a quarta parede, justamente para trazer o público mais para perto do que está se construindo. Principalmente para que venhamos a ter, e ver, o ponto de vista de quem é a vítima nesses casos. Desta forma, ao dar uma sequência incômoda, degradante e triste para a personagem de Margot Robbie, o diretor extrai um dos momentos mais odiosos da película, gerando no espectador aquela empatia necessária que já idealiza a justiça.

E talvez a forma como a justiça ocorre durante o ritmo seja pautado através de um didatismo que deverá causar certo desconforto nos mais criteriosos.
Entre erros e acertos da direção, é o cerne do texto e quem o reproduz que faz da obra algo importante nos tempos atuais!

A narrativa então faz o papel de acompanhar três pontos de vista da mesma história. Três mulheres que passaram pela mesma situação e que em sua construção de mundo lidaram com o acontecimento de maneiras que pensavam ser diferentes.

A medida que vamos entendendo como funciona o comportamento organizacional e a cultura da emissora entendemos que o conservadorismo pregado consegue com o tempo "engolir" quem se colocou para trabalhar no local (a personagem de Kate McKinnon por exemplo), fazendo assim com que discursos de preconceito, machistas e racistas fossem tratados como banais ou piadas realizadas nos momentos errados. (Nada de diferente de alguns lugares do Brasil)

O ponto aqui é a forma como tudo isso é apresentado a nós. Para isso o trio de protagonistas estabelecem uma relação de força conjunta, ainda que sem saber, e que aos poucos ganha notoriedade dentro de um discurso feminista que algumas não estavam sequer querendo pronunciar. E certamente quando os relatos de assédio ganham voz e forma em tela, a reação é justamente desagradável, porém gerando aquele desejo para que algo tenha acontecido a favor das vítimas.

O descrédito, minimização e a objetificação também tem seus momentos de presença, onde uma carreira é colocada em debate por conta de acusações ou o futuro de alguém é totalmente influenciado caso algo de ruim venha ocorrer. Todos esses elementos trazem à tona uma importante postura: A denúncia! Assim, ao chegarmos ao desfecho proposital, a sensação de alívio ocorre misturada àquele pensamento de quem muitas ainda passam por tais situações!

O Escândalo pode não ser o primor técnico esperado para alguns, mas o discurso empregado supera toda e qualquer falha de execução, pautado em atuações que conseguem estabelecer a ligação necessária com o público!

Carregando então fatos que precisam ser cada vez mais contados na sétima arte, eis uma produção de grande importância em tempos onde a sociedade ainda insiste em culpabilizar e desacreditar a vítima.

Em tempos machistas, um escândalo é o suficiente para assustar!

O Escândalo concorre ao Oscar 2020 nas Categorias:
Melhor Atriz - Charlize Theron
Melhor Atriz Coadjuvante - Margot Robbie
Melhor Cabelo e Maquiagem

Will Weber
Geek Guia

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