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  16/12/2019 às 11h51

Super Dica de Cinema | Entre Facas e Segredos


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Super Dica de Cinema | Entre Facas e Segredos

Histórias sobre mistérios e assassinatos fazem parte da cultura pop em diversos gêneros!

Seja no cinema, na literatura, nos games, há sempre um enigma a ser desvendado envolvendo suspeitos e um detetive que não trabalha usando métodos convencionais.

Neste caso, o diretor Rian Johnson (Star Wars: Os Últimos Jedi), nos apresenta uma história que subverte narrativas que precisam ser decifradas para contar sua própria versão de como se pode resolver casos difíceis e ainda causar aquele sentimento de surpresa nos minutos finais de sua produção.
Ou seja, todos são suspeitos!

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Harlan Thrombey é um escritor famoso por seus romances policiais, porém após seu aniversário de 85 anos é encontrado morto em seu escritório. Em primeiro momento tudo leva a crer que foi um suicídio, contudo aos poucos novas situações surgem colocando todos os familiares do falecido como suspeitos de assassinato e isso pode envolver segredos de cada um deles, além de uma enfermeira que sempre esteve ajudando o romancista morto.

Rian Johnson escreve e dirige a produção que mais parece uma adaptação do clássico jogo "Detetive", entretanto de uma forma que subverte completamente narrativas ligadas a mistérios.

O diretor escolhe um posicionamento de câmera teatral, como se a cada ato, "cortinas" se fechassem e abrissem para as novas informações que vão sendo demonstradas em tela. Usando de uma edição dinâmica, que vai nos posicionando dentro do contexto dos fatos, e que apresenta os personagens, a produção vai ganhando um ritmo denso, enigmático, que não está somente relacionado ao crime principal, mas a cada um conectado ao personagem morto dentro da história.
Para isso, Johnson não se vê preocupado em entregar no primeiro ato os elementos que servem para nos fazer entender ainda mais o que está acontecendo, demonstrando então segurança ao conduzir sua narrativa para onde bem decidir. Isso reflete na compreensão do público que ao ficar apreensivo com as revelações, se vê ainda mais imerso na história. Desta forma, a direção deixa para entregar as respostas necessárias no momento certo, fazendo o trabalho que deve ser feito com esse tipo de roteiro: a surpresa!

A surpresa, o mistério e as inquietações tomam conta desta narrativa de maneira assertiva e competente. O que parece a princípio mais um filme sobre "quem matou fulano" se torna uma verdadeira jogatina onde as peças não estão dispostas de maneira óbvia ou costumeira.

Existem detalhes que vão sendo descortinados aos poucos levando quem assiste a traçar a sua própria linha de raciocínio ou até mesmo perdendo qualquer tipo de teoria que possa ter sido criada durante a exibição. O fato é que o texto de Rian Johnson não economiza em gerar um emaranhado de pistas e suposições que vão do didatismo ao subjetivo em questão segundos, tornando cada cena, até mesmo aquela que poderia não acrescentar nada, peça fundamental para tornar a revelação ao final digna de espanto!

Ademais, por mais que existem vários personagens ligados a trama, cada um pontualmente tem suas razões colocadas diante do público, justamente servindo para que as conclusões sejam as mais diversas possíveis e quando se pensa ter entendido o que está realmente acontecendo, o diretor novamente modifica a percepção, tornando tudo ainda mais enigmático. Restando apenas aquela sensação de que ninguém esperava pelo que veio a acontecer no decorrer dessa história.

E por mais que tenhamos a presença de um detetive que carrega as clássicas nuances do estereótipo de outras histórias, o roteiro não se sustenta em apenas este personagem ser responsável por apresentar os fatos, fazendo com que a experiência cinematográfica se torne divertida e dinâmica a cada nova sequência da investigação.

Entre Facas e Segredos subverte o gênero enigmático das narrativas, fugindo a obviedade dos fatos, traçando uma linha de raciocínio capaz de surpreender até o mais esperto dos espectadores.

Com uma direção que utiliza do jogo cênico e de uma montagem dinâmica, as movimentações se tornam teatrais a ponto de transportar quem assiste para dentro da história, gerando a vontade de descobrir o que aconteceu, na medida certa.
Se no jogo Detetive temos que identificar o assassino, a arma que ele usou e onde foi, aqui os suspeitos se colocam de formas diferentes, usando artifícios inusitados, tornando suas reais intenções cada vez mais cabíveis de culpa.

Contudo, quem disse que apenas eles seriam capazes de cometer um crime? Podem ser qualquer um, pois estamos falando da morte de um escritor. Então seria essa uma de suas histórias complexas? Ou apenas uma forma de finalizar toda sua obra?

Ou seja, nem sempre é o mordomo na biblioteca com um candelabro!

Will Weber
Geek Guia

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