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  09/04/2015 às 14h56

“Sou um artista que a garotada gosta muito. Me sinto o Xuxo", diz Sérgio Reis em entrevista.


“Sou um artista que a garotada gosta muito. Me sinto o Xuxo

Após dez anos sem gravar um CD de estúdio, Sérgio Reis decidiu lançar o álbum “Questão de Tempo”. Para a produção, o cantor fez um balanço de toda sua carreira e selecionou cada canção a dedo, pensando na mensagem que gostaria de passar. Músicas divertidas, animadas, românticas e até mensagens políticas foram lapidadas por Sérgio para compor mais um álbum de carreira do sertanejo. “Eu tenho que combater nem que seja cantando”, se referindo à canção “Tetinha”, na qual fala sobre cabides de empregos políticos.

O álbum também conta com canções que mostram a vida longe da cidade grande, o que, para Sérgio, é o sonho de muitos. “As pessoas que vão na minha casa, na casa do Almir (Sater), na casa do Chrystian, do Chrystian e Ralf, ficam encantadas. Elas não têm ideia de que a gente mora dentro de uma floresta dentro de São Paulo. A gente não quer descer a serra. E você precisa mostrar no disco toda essa riqueza. Se a gente não fizer isso, estamos matando nossa cultura, que é preservar a mata, nossos pássaros”, explica Sérgio, enquanto mostra um vídeo em que aparece ao lado da mulher, Ângela, alimentando os micos que aparecem em sua casa na Serra da Cantareira.

Mas, durante a entrevista, Sérgio não falou apenas de música. Em uma conversa pontuada por histórias vividas pelo cantor, muitas risadas e lembranças de momentos de superação, Sérgio mostra o porque as pessoas mais próximas não poupam elogios quando se referem a ele. E o próprio tem total ideia de quem seja, embora brinque ser um “chato” quando lhe é pedido para se definir em poucas palavras. Em seguida, corrige: “Sei lá. Sou um cara feliz. Amo as pessoas. Um bom coração, graças a Deus. Uma boa alma. Não tenho inveja de ninguém. Quem precisa de mim, eu ajudo. Às vezes não posso. Mas dou um jeito. Nunca abandono um amigo na beira da estrada para tomar poeira. De forma nenhuma”.

E quando Sérgio fala de ajudar, ele não se refere apenas aos amigos. O cantor costuma dar força para os novatos no mercado, como fez com Paula Fernandes. Há alguns anos, ele foi convidado para interpretar “Sem você” com a cantora. “Ela nem existia”, relembrou Sérgio, se referindo ao estouro recente da carreira dela. “A vida é isso. Não ajudei em nada, fiz o bem pra minha nação. Pelo menos a juventude hoje ouve gente que sabe cantar. E música boa”, afirmou o cantor, que ainda teceu elogios para a cantora. “Não tem como não gostar dela cantando. É bom de ouvir. A Paula é imbatível. Tomou conta. Ela só precisa ter cabeça boa, suportar o peso do sucesso, que é muito grande. Ela está realmente cansada. Estamos marcando para ela ir lá em casa. Vou dar uns conselhos pra ela, orientar. Porque tenho experiência da vida, 54 anos de carreira”.

Sérgio também tentou fazer o mesmo por Victor e Leo. Mas uma falha na comunicação fez com que Sérgio não gravasse um dos maiores sucessos da dupla, “Vida Boa”. Victor compôs “Fazenda Paraíso”, faixa do novo CD de Sérgio, para o pagamento de uma dívida, como brinca o cantor. “Ele me devia essa música, porque ele me deu um CD uma vez, mas não colocou o nome dele. Quando ele não era famoso. O Victor falou: ‘Sérgio, eu faço umas músicas, vê se você gosta’”, relembra. Na caixa do CD, havia apenas o telefone de Victor.

Na preparação para o DVD “Sérgio Reis e Filhos – Violas e Violeiros”, Sérgio ouviu a canção ao lado de um dos filhos e escolheram a canção para fazer parte do trabalho. Mas não conseguiram encontrar Victor. “Não gravei, porque não achei ele. Depois, dei uma bronca no Victor por ter dado o CD sem ter colocado o nome. Judiei dele”, brinca.

O sertanejo ainda relembra o início da dupla, que já cantou no Rancho do Serjão, em São Paulo. “Eles cantaram lá, por dois anos e meio, ganhando R$300 por noite. Tocavam nas casas noturnas, alugaram um apartamentinho aqui pra vir trabalhar. E conseguiram. Estão aí”.

Com 73 anos de idade e 54 de carreira, Sérgio Reis não dá as costas para o novo sertanejo. O cantor gosta de ouvir as rádios para saber o que estão tocando e explica porque curte o segmento, mesmo não seguindo sua linha. “Acho eles bons cantando. Gosto de quem canta bem”.

O cantor faz questão de citar alguns nomes que o encantam dentro da nova (nem tão nova assim) safra. “Guilherme, do Guilherme e Santiago. Edson, do Edson e Hudson. Cezar, do Cezar e Paulinho. Tudo gente que vem e quebra tudo. Vamos por o Bruno e Marrone, mas já são mais velhos. Mas ele canta muito. O bicho coloca o peito pra fora, é bom de ouvir. Os próprios Cesar Menotti e Fabiano. Cantam forte, pra frente! O Luan Santana canta muito, o Gusttavo Lima é muito bom”.

Sérgio faz muitos elogios mas, também, uma ressalva: “Vai falar que eles não são sertanejos? Não são sertanejos, são pop, românticos. Mas, se der uma viola para eles, eles cantam também. Conhecem tudo. Acho isso legal. A gente tem que dar valor. Tem lugar pra todo mundo”.

Se Sérgio considera que tem lugar para todo tipo de cantor no mercado sertanejo, ele também mostra que suas músicas são para todos os públicos. E comemora: “Já fiz um CD só com músicas que o Roberto Carlos imortalizou, que é pra essa nova geração ver que eu não canto só sertanejo. Graças a Deus, sou um artista que a garotada gosta muito. Me sinto o Xuxo. Esses dias veio um garoto de três anos tocar berrante pra mim. Fico doido! Isso é uma coisa gostosa. Não tenho problema de público”, comentou ele, que chega a fazer dez shows por mês. Enquanto conta os compromissos na agenda, relembra: “Ano passado foram cento e cacetada”.

Entre eles, passou por outro momento que viu sua força entre o público mais jovem. “Eu estava no show, eu e Renato Teixeira, de repente uma menina de uns 14, 15 anos, gritou: toca rei do gado. É uma baita moda de viola. Acho isso lindo, porque nossa cultura ainda está de pé. Eles não pensam só no ‘ai se eu te pego’, que é uma musica mais passante. Atual, mas rápida para morrer”.

Em março de 2012, Sérgio sofreu uma queda do palco em Três Marias (MG). “O tombo foi muito alto. Me machuquei muito. Quebrei oito costelas, trinquei nove vértebras, o ombro, luxei esse joelho e perfurei o pulmão direito”, relembrou Sérgio, que hoje conta com luzes de LED no contorno do palco para evitar novos acidentes.

Sérgio, que já sofreu um AVC e venceu um câncer, conta que, mesmo após todos esses episódios, nunca pensou em se aposentar. “Parar de cantar eu não vou. Você enferruja, é igual locomotiva. Por isso que os caras de idade, como eu, precisam pensar em uma academia, fazer uma fisioterapia, que é essencial pra circulação. Não é brincadeira”.

Após a queda, Sérgio ficou 90 dias parado, entre o hospital e a cama. Depois desse período, uma reflexão. “É bom porque você dá um alerta na sua vida. Pensa que está bem, e de repente, você acaba. Tem que se cuidar. Isso é a realidade da vida. A vida é a morte. Já tive um AVC, tive que operar cérebro. Já sai de um câncer… Sou um homem de ferro. Tem uma força lá em cima que dá forças. Não é minha hora, e quando for, Ele chama. O tombo foi bom para eu pensar bem”.

A queda foi bom para desligar um pouco, né, Sérgio? “Sou ligado nos 220, minha mulher briga comigo. Tem esse pessoal da imprensa que perturba”, se diverte ele, que não cansa de fazer piadas e mostrar o bom humor.

Ah, e o sertanejo faz questão de destacar: “Esse ano eu voltei para Três Marias pra acabar o show. Faltavam duas musicas, ‘Panela Velha’ e ‘Pinga ni mim’ (risos). Fui lá e cantei duas vezes, pelo ano passado e esse ano”.

 

Fonte: IG

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