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  09/04/2015 às 14h56

Sertanejo invade igrejas


Sertanejo invade igrejas

Após o sertanejo se alastrar pelo Brasil, devorar as paradas de sucessos e infestar até os trios elétricos no Carnaval de Salvador, o gênero chega às igrejas pela porta da frente. Não se trata, no entanto, de uma praga bíblica punitiva. O sertanejo na música cristã tem um objetivo mais nobre: arrebatar novos fiéis.

Esse não é, necessariamente, um fenômeno novo. Duplas sertanejas e temas ligados ao universo interiorano sempre estiveram presentes no segmento gospel, mas as gravadoras e igrejas agora investem pesado nas novidades: do universitário ao arrocha, das missas sertanejas a "balada crente".

Os mineiros Cleyton & Johnny foram uma das primeiras duplas a levar o conceito de balada aos evangélicos. A música "Balada do Senhor" possui os mesmos artifícios dos "sertanejos seculares" (termo muito utilizado nas igrejas para determinar o mercado fora delas), com refrão empolgante no estilo  "Balada (Tche Tcherere Tche Tche)",  de Gusttavo Lima. A diferença está no ambiente. "É uma forma sadia da balada, de se alegrar e dançar. Somos livres, mas dá para se divertir sem o sexo ilícito e sem as bebidas", observa Cleyton, 28 anos.

Com corte de cabelo e figurino parecidos com Cristiano Araújo, Willer Rodrigues é outro expoente do gênero. Ele mistura arrocha e vanerão em eventos direcionados aos fiéis adolescentes. Ministro de louvor na Assembleia de Deus, em Brasília, descobriu a cena do sertanejo universitário nos dois anos que passou afastado da religião. "Eu tinha uma vontade de vivenciar isso por influência de amigos da faculdade. Mas Deus disse que não era ali que ele ia agir na minha vida", detalha. Aos 22 anos, ele diz que o estilo foi bem aceito pelas igrejas por conta do forte apelo jovem. A exceção ainda é a Igreja Presbiteriana.

"Há dois públicos na música cristã. Um que está dentro da igreja e já está inserido nesse contexto e outro que se intitula católico, mas que está distante. A igreja teve que se adaptar aos estilos porque ela entendeu que a música se destina também à evangelização", observa Carlos Tocco, diretor artístico da gravadora Canção Nova, influente grupo de comunicação católico. Para ele, neste momento, o sertanejo, que já é onipresente no Brasil, se torna o melhor veículo para a missão.

Quem também vem quebrando a barreira do tradicionalismo com a irreverência no lugar do louvor é a dupla gospel Luis & Lobato. Na música de trabalho "Celular", eles cantam sobre um fiel que presta mais atenção no Whatsapp do que no pastor. O clipe traz dancinhas e a encenação de um culto. "Pensando que ninguém vai descobrir seu disfarce / mas só se esqueceu de tirar o som do celular / o pastor começa a pregar e o celular toca assim", canta a dupla, seguida do instrumental que imita o toque clássico do telefone.

"Queremos trazer a descontração para um assunto sério. Nossa proposta não é levar isso para o culto de domingo, que é mais tradicional. A não ser que o pastor peça", observa Lobato, 26 anos. Já teve quem exibisse o clipe antes do culto como advertência para os fiéis desligarem os celulares.

Fonte: Musica.Uol

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