Notícias
  29/05/2019 às 12h44

Pelo menos um motorista de aplicativo é assaltado por dia na Grande Vitória, diz associação


1
0
Pelo menos um motorista de aplicativo é assaltado por dia na Grande Vitória, diz associação

Pelo menos um motorista de aplicativo de transporte individual de passageiros é assaltado por dia na Grande Vitória, no Espírito Santo. A média é de oito assaltos por semana. O levantamento é da Associação de Motoristas de Aplicativo do ES (Amapes), que representa os profissionais da categoria.

O presidente da Amapes, Luiz Fernando Muller, explicou que os profissionais aceitam chamadas apenas de clientes bem avaliados e que têm muitas corridas, mas que ultimamente está difícil se proteger. É que criminosos têm furtado celulares e utilizado o aparelho da vítima para chamar as corridas, ação que acaba dificultando que o motorista identifique um possível suspeito.

"Já tivemos dois relatos sobre esse tipo de atuação. Eles pegam esses celulares roubados, pedem para desbloquear o celular na hora e imediatamente já chamam o aplicativo para poderem cometer assaltos. Hoje nos protegemos muito em relação ao destino escolhido e com a nota que o aplicativo nos fornece, então, com o celular roubado, fica difícil identificar. Normalmente olhamos a nota da pessoa, mas como o celular é roubado não tem como prever", explicou.

Associação de Motoristas de Aplicativo do ES (Amapes), Luiz Fernando Muller — Foto: Reprodução/TV Gazeta

Aceitar o pedido de viagem de um cliente, principalmente durante a noite, deixou de ser algo tranquilo para Marcos Júnior.

O motorista de aplicativo trabalha na área há dois anos e já foi assaltado uma vez, quando teve uma arma apontada para a cabeça. Os criminosos levaram o carro dele, celular e dinheiro.

+ Siga a rádio FM Super também pelo Facebook e pelo Instagram.

"A primeira vez que fui assaltado foi aqui na região de Cariacica mesmo, em Campo Grande, quando uma mulher me chamou pelo aplicativo. Quando cheguei no local dois criminosos entraram no meu carro e anunciaram o assalto. Um deles me deu uma coronhada na cabeça e durante todo o período que estavam no carro me fez ameaças de morte, dizendo que se eu reagisse iria me matar", lamentou Marcos.

Marcos Júnior já teve arma apontada para a cabeça durante assalto — Foto: Reprodução/TV Gazeta

O veículo de Marcos Júnior foi encontrado pela polícia apenas um mês depois do assalto. Todas as peças do carro foram retiradas pelos criminosos.

No último domingo (12), usando novamente um celular roubado, dois homens armados abordaram o motorista, mas dessa vez ele conseguiu escapar.

"Eu tinha saído da igreja e resolvi andar. Na minha segunda viagem, no bairro Caratoíra, em Vitória, uma mulher bem avaliada chamou e quando cheguei tinha dois indivíduos. Naquele momento passou um filme na minha cabeça. Comecei a conversar com eles, falei que tinha saído da igreja, falei sobre como tinha sido meu dia. Eles me levaram para Cobilândia e disseram que não me assaltaram porque eu era um cara muito gente boa. Hoje a gente trabalha com medo, sem saber se vamos voltar, se vamos ver os filhos de novo", relembrou.

Bairros perigosos
O levantamento feito pela associação dos motoristas de aplicativos aponta que Gurigica, em Vitória, é considerado perigoso. Em Vila Velha os bairros considerados mais violentos são Barramares, Santa Rita, Cobi, Jabaeté e Morada da Barra. Porto de Santana e Itaquari são os destaques negativos em Cariacica. Na Serra, Jardim Carapina e Carapina Grande foram os eleitos mais perigosos.

Mas criminosos também chamam corridas de bairros considerados mais nobres. É o que conta o presidente da Associação dos Motoristas de Aplicativo, Luiz Fernando.

"Tivemos um bairro, que é o Bento Ferreira, que é um bairro nobre, onde se estava originando muitas chamadas, justamente para cometer o assalto e mudando a situação dos bairros de periferia", explicou Luiz Fernando.

Taxistas também são alvos
A sensação de insegurança também atinge os taxistas, que dizem que estão trabalhando com medo. Júlio Ferreira Sobrinho trabalha em um ponto da Praia da Costa, em Vila Velha, há 23 anos, e é outro profissional que já foi vítima da violência na Grande Vitória.

"A gente vem trabalhar com receio de acontecer novamente ou até acontecer coisas piores".

Taxista Júlio Ferreira Sobrinho já foi vítima de criminosos — Foto: Reprodução/TV Gazeta

O taxista Elson Corrêa dos Santos trabalha no mesmo ponto que Júlio e relata que mesmo com 12 anos de experiência na área tenta não relaxar.

"Avalio o modo como o passageiro fala com a gente, como ele aborda. A gente que trabalha em ponto tem que pedir o endereço, o nome da pessoa. Se ela está na rua, em frente a algum prédio, pergunto em frente a qual prédio ela está. Quando a pessoa fica com dificuldade em responder a gente desconfia. Como estou há muito tempo no ponto, conheço os clientes. Mesmo assim trabalhamos desconfiados. Já cheguei a cancelar muitas corridas. As pessoas ficam bravas, mas a gente fica com medo", concluiu Elson.

Polícia Militar
A Polícia Militar disse que faz diversas abordagens nos veículos e tem operações específicas para taxistas. Pelos dados da Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp), o número de roubos a taxistas caiu 61% este ano.

No caso dos motoristas de aplicativos, o ideal seria que os carros tivessem alguma identificação, segundo a PM.

Aplicativos
A reportagem entrou em contato com os aplicativos Uber e 99, que responderam por nota. Confira na íntegra:

Uber
"A segurança é uma prioridade para a Uber, por isso, a empresa sempre busca aprimorar sua tecnologia para fazer da plataforma a mais segura possível antes mesmo da viagem começar.

Ao longo do ano de 2018, a Uber passou a adotar no Brasil o recurso de machine learning, que usa a tecnologia para bloquear viagens consideradas mais arriscadas e lançou uma ferramenta que reúne os recursos de segurança para motoristas parceiros, inclusive um botão para ligar para a polícia em situações de risco ou emergência diretamente do app.

Ouvindo motoristas e buscando o equilíbrio da transparência com a experiência dos usuários, a Uber lançou em agosto do ano passado seu novo aplicativo para motoristas, que inclui a informação de qual será a forma de pagamento antes de o usuário embarcar. Se o usuário escolher efeAlém disso, o aplicativo exige do usuário que quiser pagar somente em dinheiro que insira o CPF e data de nascimento, dados que são checados com a base de dados da Receita Federal. Os demais usuários, que efetuam pagamento em cartão, já fornecem seus dados cadastrais às instituições financeiras. Todas as viagens são registradas por GPS, o que permite que a Uber colabore com as autoridades, nos termos da Lei, em caso de necessidade, e o motorista também pode compartilhar a localização, o trajeto e o horário de chegada, em tempo real, com quem desejar.

Por fim, os parceiros contam com um número de telefone 0800 para registrar e solicitar apoio da Uber depois que tiverem comunicado incidentes às autoridades e estiverem em segurança - por exemplo, no caso da necessidade de acionar o Seguro para Acidentes Pessoais que cobre todas as viagens. O aplicativo da Uber permite ainda que solicitações de viagens sejam canceladas por motoristas parceiros por motivo de segurança quando não se sentirem confortáveis."

99
"Na 99 a segurança é prioridade máxima e um de seus três pilares fundamentais (promover transporte rápido, econômico e seguro).

A 99 possui uma equipe especialmente dedicada, composta por mais de 100 pessoas incluindo ex-militares, engenheiros de dados e psicólogos. O time trabalha 24 horas por dia, sete dias por semana, cuidando exclusivamente da proteção dos usuários.

Entre as funcionalidades desenvolvidas estão:

• A empresa fornece o mapeamento de áreas de risco que envia aos motoristas notificações sobre zonas perigosas. O levantamento utiliza estatísticas internas do app e dados externos das Secretarias de Segurança Pública.

• O aplicativo pede que todos os passageiros coloquem CPF ou cartão de crédito antes da primeira corrida.

• Condutores podem optar por não receber pagamento em dinheiro. A empresa acredita que é importante dar essa liberdade aos parceiros para que eles tomem a melhor decisão baseados nos próprios contexto e experiência.

• O app realiza rodadas de treinamento para condutores, em que apresenta um curso especial com dicas práticas de proteção.

• Todos os usuários estão protegidos em suas corridas realizadas pela 99. Desde o aceite até a finalização das corridas, passageiros e motoristas são cobertos por um seguro contra acidentes pessoais de até R$ 100 mil."

Por G1 ES

Link da matéria original:
https://g1.globo.com/es/espirito-santo/noticia/2019/05/28/pelo-menos-um-motorista-de-aplicativo-e-assaltado-por-dia-na-grande-vitoria-diz-associacao.ghtml

Tags
sombra

Promoções
sombra

Artista em Destaque

264
38

Amigos da Super