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  05/11/2019 às 9h57

Mulher descobre que sequestrador a criou no ES e sonha conhecer a mãe


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Mulher descobre que sequestrador a criou no ES e sonha conhecer a mãe

Cidade de Tanabi, interior de São Paulo, 7 de abril de 1975. O dia amanhece e Neide Aparecida Pereira sai, às 9 horas da manhã, para pegar lenha nas proximidades de casa. Ao retornar para a residência ela percebe a ausência da filha Simone Aparecida Pereira, de apenas dois anos. A menina foi sequestrada e Neide nunca mais a viu. Para encontrar a filha, ela tentou de tudo: foi à delegacia, procurou por todos os cantos, porém não obteve sucesso.

Neide não parou de procurar. Mas longe dali, em Cariacica, no Espírito Santo, a pequena Simone, sem perceber o que acontecia à sua volta, ganhou uma nova certidão de nascimento. Recebeu o sobrenome de Pedro Antônio Garcia, homem que a sequestrou e que a criou como filha.

A cuidadora Simone, que hoje tem 46 anos, cresceu sem conhecer a mãe biológica. Ela se casou, teve duas filhas e sempre acreditou ter sido criada por um homem frágil que se mudou para o Estado após enviuvar-se. Entretanto, 44 anos após o sequestro, a verdade apareceu e revelou uma história que parece ter sido inventada para compor um enredo de ficção.

A verdade foi descoberta devido à persistência de Simone, que desconfiava do relato do pai de criação. Ele afirmou por diversas vezes antes de morrer que a mãe dela havia morrido quando ela ainda era bebê.

Simone Aparecida Pereira
Cuidadora

"Em nenhum momento passou pela minha cabeça que eu não era filha dele. Mas eu desconfiava que minha mãe estivesse viva. Ele era uma pessoa violenta, então achei que ela poderia estar perdida por aí. Do nada liguei para a delegacia de São Paulo e perguntei se ele tinha alguma ficha criminal na polícia. Me falaram para procurar saber no fórum. E foi lá que descobri tudo. Que não era filha dele, que eu havia sido sequestrada"

No Fórum de Tanabi, Simone encontrou o processo movido pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) sobre seu desaparecimento. No documento de 28 páginas, o inquérito aponta Pedro como principal suspeito, e descreve o passo a passo das investigações, encerradas por decisão judicial menos de um ano depois do sequestro, e sem que a menina tivesse sido encontrada.

OS FATOS
Segundo relatos do processo, Pedro era pessoa de confiança de Neide. Ele se mudou para sua casa, com o filho adotivo de 14 anos, após a morte de sua mulher. Neide morava sozinha com seus três filhos, pois o marido a havia abandonado recentemente. Por ter sido casado com a prima do ex-marido de Neide, o homem logo ganhou abrigo na casa dela.

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A mãe de Simone compareceu às 16 horas do mesmo dia à delegacia de Tanabi para dar queixa do sequestro da filha. Para ela, o principal suspeito era Pedro Antônio Garcia, que também havia desaparecido. Em depoimento, Neide afirmou à polícia que ao retornar para à residência após buscar lenha, não se preocupou com a ausência de Pedro, seu filho e Simone porque acreditava que eles tinham saído para passear.

UMA VIDA DE MENTIRAS
Após sair de Tanabi, Pedro visitou parentes e apresentou Simone como sua filha. “Ele me apresentou com filha dele. Disse que a esposa havia morrido e me deixado. Me apresentou para todos os familiares, segundo meus tios contam. Eu nunca desconfiei que era tudo mentira”, afirmou.

Depois de passar por cidades de São Paulo e Minas Gerais,  Pedro chegou ao Espírito Santo acompanhado do filho e de Simone . Após dois meses vivendo em terras capixabas, ele se casou novamente e teve mais cinco filhos. O homem morreu em 2006 com aneurisma cerebral sem contar a verdade para a cuidadora.

Simone Aparecida Pereira
Cuidadora

"Tenho cinco irmãos. Então ele teve esses filhos. Ele não tinha boa condição financeira e eu sofria maus-tratos, da parte dele e de minha madrasta. E eu achava que era normal por ele ser meu pai, um viúvo"

APÓS DESCOBERTA

Desde que descobriu a verdade, Simone não consegue ter noites tranquilas de sono. Por isso, passou a fazer tratamento psicológico, pois a todo momento ela imagina como foi o seu sequestro.

“Quando descobri foi um desespero porque tenho filhos também. Fiquei apavorada. Me senti novamente com dois anos de idade sendo levada, não sendo cuidada”, desabafou.

Mesmo após todos esses anos ela acredita que vai encontrar a mãe Neide Aparecida Pereira, hoje com 66 anos, que não mora mais em Tanabi. “Acredito que ela sofreu muito por ter imaginado que mil coisas poderiam ter acontecido comigo e ela não podia fazer nada. Acredito que milagres acontecem. Não tinha como saber dessa história. Tenho esperança em encontrá-la".

Por: A Gazeta

Link da matéria original: https://www.agazeta.com.br/es/gv/mulher-descobre-que-sequestrador-a-criou-no-es-e-sonha-conhecer-a-mae-1119

 

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