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  11/11/2015 às 16h12

Lama acidental ou crime ambiental?


Lama acidental ou crime ambiental?

Por Karen Vieira / Rádio FM Super

Uma semana após as barragens de Fundão e Santarém, da Samarco, se romperem em Mariana, Minas Gerais, pelo menos duas mil pessoas tentam reconstruir suas vidas. Até o momento, seis mortes são confirmadas e 21 pessoas estão desaparecidas: 11 trabalhadores da mineradora e de empresas terceirizadas, além de 10 moradores de Bento Rodrigues e Camargos. As informações são do Comando de Operações em Mariana, na Região Central do estado mineiro.

O acidente aconteceu na última quinta-feira (5), por volta das 15 horas, e resultou no despejamento de 62 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério e, consequentemente, na destruição de casas, na devastação da fauna e flora local, sem contar a grande possibilidade de dispersão de produtos tóxicos nos cursos d’água. Fontes extraoficiais consideram a chance do rejeito conter porções de zinco, cobre e arsênio, metais comuns na composição do minério. A informação foi contestada pela Samarco, que alegou ausência de substâncias de risco nos rejeitos.

Nessa terça-feira (10), em entrevista coletiva à imprensa, a mineradora informou que o prejuízo do desastre ainda não foi contabilizado; quanto às indenizações aos afetados, a empresa declarou que estuda junto às famílias e ao Ministério Público a melhor maneira de conduzir os procedimentos. Já o prefeito de Mariana, Duarte Júnior, informou ao portal de notícias G1 no início desta tarde (11), que o prejuízo de infraestrutura com o rompimento das barragens é de R$ 100 milhões.

Os principais distritos afetados com a tragédia são: Bento Rodrigues - o mais afetado -, Camargos, Paracatu de Baixo, Ponte do Gama e cidades na região. Os rejeitos também atingiram o Rio Doce e alcançaram o Leste de Minas e Espírito Santo.

Em nota oficial em sua página online, a Samarco informou que tem monitorado a situação 24 horas por dia e oferecido apoio a toda população. Confira o informativo na íntegra:

Conforme prevê o plano de resposta de emergência da barragem, solicitado pela defesa civil, a Samarco iniciou ontem a comunicação presencial com as comunidades, informando que, de forma preventiva, foram mobilizadas caminhonetes com sirene, disponíveis 24 horas por dia, para alertar sobre qualquer necessidade. Foram avisadas as comunidades de Camargos, Pedras, Paracatu de Baixo, Paracatu de Cima, em Mariana e a comunidade de Gesteira, no município de Barra Longa.

O curso da tragédia: Governador Valadares decreta Estado de Calamidade Pública

Há 24 horas, tendo como referência esta quarta-feira (11), Governador Valadares, Minas Gerais, está em estado de calamidade, devido à chegada dos rejeitos do acidente em Mariana - MG. Segundo nota divulgada pela Prefeitura do município, a água da região está 80 vezes mais turva que a indicação para consumo.

Governador Valadares é abastecido pelo Rio Doce e foi alcançado pela lama no último domingo (8), o que resultou o aparecimento de problemas no abastecimento.  O decreto de calamidade foi assinado ontem (10), pela Prefeita Elisa Costa, e enviado aos Governos estadual e federal juntamente com um Plano de Emergência, que contém ações prioritárias para minimizar os impactos da falta de água na cidade. Os mesmo documentos também foram enviados a Samarco, responsável pela tragédia ambiental.

O órgão ainda oficiou junto ao Ministério Público o pedido de ajuda à comunidade e isso resultou em uma ação judicial contra a mineradora a fim de reparar danos e prejuízos ao município e moradores. A previsão é que os rejeitos em curso pelo Doce, ainda em área mineira, cheguem ao Espírito Santo no próximo sábado (14), segundo a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos. As regiões capixabas atingidas serão: Baixo Guandu, Colatina e Linhares.

O Rio que deixou de ser Doce: a chegada da Lama no Espírito Santo

O secretário de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Rodrigo Marques de Abreu Júdice, afirmou hoje (11) que os rejeitos provenientes da tragédia ambiental Minas Gerais, devem chegar ao Espírito Santo na madrugada do próximo sábado (14). Segundo Júdice, até o momento não há nenhum registro de lama nas regiões abastecidas pelo Rio Doce, que serão afetadas: Baixo Guandu, Colatina e Linhares.

“ Por enquanto, o que temos é apenas uma água turva e barrenta, proveniente da abertura de reservatórios. A questão mais crítica ainda não começou e, por isso, precisamos estar preparados. Vamos monitorar a situação e cobrar todo apoio necessário da Samarco, responsável pelo acidente”, disse.

Nesta quarta-feira (11), o nível do Rio Doce caiu mais de 40 centímetros. A queda ocorreu em apenas 24 horas; até ontem (10), o Rio estava em 173 centímetros, já o novo registro – feito pela Agência Nacional das Águas  - é de 130 centímetros.

Enquanto a lama não chega, os três municípios abastecidos pelo Doce já se preparam para o fim do abastecimento das cidades. Nessa semana, durante a entrega de unidades habitacionais do programa Minha Casa Minha Vida, em São Mateus, o governador do Estado, Paulo Hartung, informou que as comunidades ribeirinhas estão sendo retiradas e levadas para uma área mais segura. Além disso, está sendo feito um monitoramento em tempo real da situação por meio de estações automáticas instaladas na calha do Rio Doce. Os trabalhos estão sendo auxiliados pelo Comando de Operação, formado pelas defesas civis das três regiões capixabas afetadas.

“Estamos vivendo um momento desafiador, com uma crise hídrica prolongada e, agora, ainda mais grave com a chegada da lama na região do Doce capixaba. É triste e lamentável o impacto desses danos humanos e ambientais, mas estamos acompanhando tudo de perto.O objetivo é minimizar os danos,” afirmou.

O Governo do Estado ainda exigiu que a Samarco dê apoio aos capixabas que vivem nas cidades afetadas pela lama. Uma das principais exigências é o fornecimento de água potável para consumo humano e animal.

Atualmente, 60 carros-pipa estão sendo usados no abastecimento de Baixo Guandu, Colatina e Linhares. Desses, 16 foram enviados pela Samarco,que forneceu 10 mil litros de água para uso.

Samarco vai ter que se explicar aos deputados capixabas

Uma comissão de representação da Assembleia Legislativa do Espírito Santo está acompanhando de perto a situação dos municípios capixabas afetados. Doze deputados estão responsáveis por analisar os danos causados pela tragédia de Mariana, em Minas Gerais.

O deputado estadual Josias Da Vitória (PDT-ES), presidente da Comissão, protocolou um ofício na Assembleia que determina que parte dos recursos da Casa, que sobrarem do orçamento de fim de ano, seja usada na recuperação do Rio Doce e das cidades afetadas. Segundo o parlamentar, o grupo tem como objetivo propor medidas que amenizem os efeitos da passagem da lama pelo estado a avaliar se o desastre foi de fato um crime ambiental.

Sobre a possibilidade de crime ambiental pela Samarco, foi solicitado um pedido de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito, a CPI das Barragens e do Mineroduto a fim de analisar a responsabilidade pelo rompimento das barragens da mineradora e até mesmo viabilizar a convocação de representantes da empresa para depor. O pedido foi feito pelos deputados Fred Costa (PEN-MG) e João Magalhães (PMDB-MG).

Foto: Douglas Magno/AFP

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