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  07/01/2020 às 14h25

Chitãozinho & Xororó completam 50 anos de carreira impulsionada pela transformação da música sertaneja na década de 1970


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Chitãozinho & Xororó completam 50 anos de carreira impulsionada pela transformação da música sertaneja na década de 1970

Em 2020, Chitãozinho & Xororó completam 50 anos de carreira impulsionada pela transformação da música sertaneja a partir da década de 1970. Foi no início de 1970 que a dupla sertaneja lançou o primeiro álbum, intitulado Chitãozinho & Xororó, mas conhecido popularmente como Galopeira, nome da música que abria o lado A do LP de capa azul.

As comemorações dessas cinco décadas de sucesso preveem disco e show inédito que percorrerá o Brasil no rastro do sucesso da turnê nacional Amigos – A história continua, espetáculo de 2019 que reuniu a dupla paranaense com Leonardo e com Zezé Di Camargo & Luciano.

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Um livro também está nos planos empresariais de Chitãozinho & Xororó para eternizar a história desses irmãos nascidos em Astorga (PR) e radicados em Campinas (SP) desde a década de 1980.

A vida dos irmãos dá mesmo um livro. Em 1970, quando a dupla lançou o primeiro LP, ninguém podia prever o alcance que as vozes anasaladas de José Lima Sobrinho (o Chitãozinho, nascido em 1954) e Durval Lima (o Xororó, nascido três anos após o irmão, em 1957) teriam ao longo dos próximos 50 anos.

Aliado ao carisma dos artistas, o canto potente de Xororó, primeira voz da dupla, permitiu esse alcance com o benefício do contexto musical da década. Atualmente com 66 e com 63 anos, respectivamente, Chitãozinho & Xororó já celebram 50 anos de carreira porque começaram a carreira bem jovens, ainda na adolescência.

Essa juventude os capacitou a se adequar às mudanças sofridas pela música sertaneja ao longo dos anos 1970. Iniciada na década de 1960 com a adição de guitarras, a eletrificação do som caipira tornou a música sertaneja mais urbana, apta a ser consumida em larga escala pela população das grandes cidades, e não somente por quem vivia no interior e por quem migrara para as metrópoles com saudade do som do sertão.

No primeiro álbum de Chitãozinho & Xororó, em 1970, a mudança soa pouco nítida. Ainda há músicas genuinamente caipiras como Tocando a boiada (Mário Lima e Waldemar Segur) e há também faixas que reverberam a influência da música paraguaia no universo sertanejo do Brasil, caso de Galopeira, versão em português (escrita por Pedro Bento), de Galopera, música do compositor paraguaio Maurício Cardozo Ocampo (1907 – 1982).

Chitãozinho e Xororó celebram os 50 anos de carreira com disco, show e livro — Foto: Júlio Cesar Costa / G1

Ao saírem da adolescência, os irmãos ficaram adultos e foram aderindo ao romantismo sentimental que se acoplou à música sertaneja naquela década, ampliando a absorção do gênero pelos centros urbanos. Foi investindo nessa vertente romântica que Chitãozinho & Xororó lançaram em 1979 o primeiro álbum realmente bem-sucedido da carreira, 60 dias apaixonado.

Batizado com o nome de música do compositor Darci Rossi (1947 – 2017) em parceria com Constantino Mendes, o álbum 60 dias apaixonado consolidou a carreira da dupla, desde então uma das mais populares do Brasil.

Os períodos áureos da carreira de Chitãozinho & Xororó residem nas década de 1980 e 1990. Em 1982, o sucesso fenomenal da gravação de outra música de Darci Rossi, Fio de cabelo, composta em parceria com Marciano (1945 – 2019), fez o oitavo álbum da dupla, Somos apaixonados, ultrapassar a marca do milhão de cópias vendidas.

Em 1989, o som de Chitãozinho & Xororó rompeu a barreira das FMs de cidades então refratárias ao som sertanejo, como o Rio de Janeiro (RJ). Até a casa de shows Canecão, templo carioca da MPB e do rock dos anos 1980, teve que abrir as portas para Chitãozinho & Xororó em 1990, ano em que a dupla consolidou a trajetória com a regravação de Evidências (José Augusto e Paulo Sérgio Valle, 1989), música lançada sem repercussão no ano anterior.

Chitãozinho & Xororó dominaram o mercado de música sertaneja ao longo dos anos 1990 ao lado das duplas Leandro & Leonardo e Zezé Di Camargo & Luciano. A partir dos anos 2000, os irmãos foram superados nesse mercado pela geração do subgênero intitulado sertanejo universitário, à qual se seguiu a geração de cantores como Luan Santana e Marília Mendonça.

José Lima Sobrinho e Durval Lima perderam a supremacia mercadológica, mas nunca o respeito dos colegas e o carinho do povo brasileiro. Aos 50 anos de carreira, os irmãos permanecem em cena como vozes resistentes de um Brasil pop sertanejo que, mesmo distante do toque da viola, ainda soa orgulhosamente caipira quando o assunto é música de massa.

Fonte: G1
Link da matéria original: https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2020/01/04/chitaozinho-and-xororo-completam-50-anos-de-carreira-impulsionada-pela-transformacao-da-musica-sertaneja-na-decada-de-1970.ghtml

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