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  07/01/2019 às 17h25

Após ser baleada, cadela Serena é adotada em Belo Horizonte


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Após ser baleada, cadela Serena é adotada em Belo Horizonte

Trinta dias de internação, 60 para se recuperar totalmente, a perda de cinco dentes e de 40% da língua. Esse foi o saldo negativo que marca para sempre a vida da cadela Serena, depois que foi baleada no focinho em julho do ano passado em Caeté, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Mas mesmo com todos esses fatores, a história teve final feliz. Sensibilizada com o ataque à cachorra, a fotógrafa Solange Castilho, de 46 anos, e o marido, o engenheiro mecânico Arthur Castilho, de 66, adotaram a cadelinha. “Crueldade e covardia. Isso é terrível. As pessoas não têm obrigação de gostar, mas têm o dever de respeitar”, disse Solange.

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Ela contou que quando a cachorra foi para casa, em Belo Horizonte, em outubro, estava bem fisicamente, mas muito traumatizada. “Ela não andava, estava com muito medo, ficava com o rabinho entre as pernas. Ficava dentro do quarto de empregada, se levantava e ia até a porta. Depois foi para a área da cozinha e depois para o quarto. Hoje em dia, ela já dorme na cama comigo”, disse, em tom de satisfação.

Como Serena perdeu quase a metade da língua, Solange oferece diariamente à cachorra uma comida caseira feita à base de arroz integral, vegetais, carne vermelha ou frango.

Solange, que também tem outros cachorros e uma gata, disse que Serena se dá muito bem com os irmãos, principalmente com a gata. "As duas ficam sempre juntas".

Quando o assunto é gratidão, a fotógrafa falou que a cadela retribui a adoção com muito carinho. “Ela é uma gracinha, deita no meu colo. Ela tomou conta da casa, adora brincar de bola, brinca o tempo todo”.

Solange contou que Serena late normalmente, passeia sem coleira e anda o dia inteiro atrás da gata, a irmã preferida.

Tratamento

De acordo com o médico veterinário Luiz Sofal, responsável pela cirurgia de Serena, a cachorra levou um tiro na maxila superior esquerda, abaixo do olho, e teve a mandíbula direita fraturada, perdeu cinco dentes e 40% da língua.

No procedimento, o especialista em odontologia veterinária utilizou fio de aço e resina acrílica para fazer a fixação da mandíbula. “O orifício [feito pelo tiro] tinha dois centímetros de diâmetro e a reconstrução da pele foi feita com uma sutura [pontos]. Ela tinha dificuldade de se alimentar e, principalmente, de beber água”, explicou Sofal.

Cadela foi baleada em Caeté, na Grande BH — Foto: Paula Senra/Divulgação

O médico veterinário disse que ela se alimentava por meio de uma sonda e que o fio de aço e a resina ficaram na boca do animal por 60 dias. Depois de um mês, Serena conseguia se movimentar, de acordo com o especialista, e ganhou alta. Ela foi levada para um lar temporário onde ficou por cerca de três meses.

Sofal falou ainda que a cadela corria risco de vida no procedimento cirúrgico porque estava maltratada e debilitada. Depois da cirurgia e da recuperação total – com a fixação da mandíbula –, Serena recuperou 5 quilos.

O médico veterinário Luiz Sofal, a cadela Serena e a fotógrafa Solange Castilho — Foto: Luiz Sofal/Arquivo Pessoal

Justiça

Segundo o delegado responsável pelas investigações, Guilherme Catão, o suspeito de cometer o crime é o sitiante Aloisio Silveira Ataíde. Ele foi indiciado por maus-tratos a animais e posse irregular de arma de fogo.

O inquérito foi encaminhado à Justiça e, se condenado, o homem pode pegar de 3 meses a 1 ano e de 1 a 3 anos de prisão, respectivamente, pelos crimes.

O G1 não conseguiu contato com o advogado do suspeito.

A Sociedade Galdina Protetora dos Animais e da Natureza de Caeté (SGPAN) informou que enviou ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) as despesas que teve com a cadela para que sejam cobradas do suspeito.

Segundo a ONG, documentos como notas fiscais e laudos veterinários foram encaminhados ao órgão.

A SGPAN declarou que foram gastos R$ 4 mil no tratamento de Serena com consulta, internação, cirurgia, medicamentos, vacinas, castração e exames de sangue e raio-X, por exemplo.

Serena posa para foto dentro da sua caminha — Foto: Solange Castilho/Arquivo Pessoal

Fonte: G1

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