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  08/07/2019 às 12h43

Análise: Seleção ganha como time, encontra soluções e cria nova referência para Tite


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Análise: Seleção ganha como time, encontra soluções e cria nova referência para Tite

O título de um time.

Seria um clichê óbvio se o Brasil não convivesse há anos com a questão da dependência de Neymar. Este texto não tem a menor pretensão de cometer loucuras e afirmar que a Seleção é melhor sem seu melhor jogador, apenas ressalta a beleza de outro tipo de conquista.

Tite tornou-se um dos mais vitoriosos técnicos do país comandando grupos coesos e pouco estelares. O corte do craque lesionado desenhou pela primeira vez esse cenário na Seleção.

Na final contra o Peru, o Brasil foi resultado de construções mais antigas e sólidas, como seu setor defensivo, e outras recentes, formadas até mesmo durante a Copa América. O mais claro exemplo é o bom funcionamento do lado direito depois da entrada de Gabriel Jesus, e seu entendimento com Daniel Alves, eleito com absoluta justiça o melhor jogador do torneio.

Na boa partida de futebol disputada no Maracanã, a Seleção foi mais time do que nunca. Com menos de um minuto, Fernandinho se levantou do banco para reclamar falta em Arthur. Os reservas se irritaram com o árbitro Roberto Tobar, ajudaram Tite a passar orientações e invadiram o campo para comemorar cada gol do título.

O Peru usou estratégias outrora brasileiras para incomodar. Abusou de triangulações pelos lados e ousou ser muito forte na marcação. Faltou aos adversários a força mental que Tite tanto cobra de seus atletas. Em mais uma combinação pela direita, a Seleção teve o passe longo de Daniel Alves, o drible de Gabriel Jesus e a precisão de Everton para abrir o placar.

Numa dessas envolventes trocas de passes peruanas, a mão bateu no braço de Thiago Silva dentro da área. Guerrero bateu o pênalti e empatou. Mas a resposta foi rápida e puramente coletiva: o centroavante (Firmino) roubou a bola, o volante (Arthur) conduziu e deu a assistência para Gabriel Jesus marcar seu 18º gol pela Seleção.

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Aliás, as entradas dele e de Cebolinha como titulares a partir da terceira rodada foram obviamente decisivas para o título. A materialização da lição que Tite diz ter aprendido da Copa do Mundo, de mudanças mais rápidas. Então, que o futebol brasileiro aprenda a lição de não rifar jogadores antes da hora. Aos 21 anos, Gabriel Jesus terminou a Copa do Mundo execrado pela falta de gols. Aos 22, conquistou a Copa América como destaque ofensivo, com gols e assistências. A tendência é que os 23 ofereçam mais, e assim por diante.

Gabriel Jesus e Everton viraram titulares ao longo da Copa América, e fizeram gols na final — Foto: Ricardo Moraes/Reuters

O Brasil voltou para o segundo tempo com ajustes na criação. Arthur passou a buscar a bola mais recuado, próximo dos zagueiros, e Coutinho, posicionado de maneira diferente, conseguiu receber mais de frente para o campo peruano. Antes, de costas, esteve em frequente desvantagem diante da marcação do volante Tapia.

Arrancando, abrindo campo, Coutinho teve dois bons momentos em que pecou pela decisão errada. Em vez de tocar para Gabriel Jesus, no primeiro lance tentou a finalização e foi bloqueado, e no segundo acabou adiantando demais a bola.

A expulsão injusta de Jesus fortaleceu o Peru. Tite respondeu com Militão no lugar de Coutinho. Time. Um jogador estreou na Copa América na final para ajudar a equipe a se defender e não passar sufoco. Deu certo.

O pênalti cobrado por Richarlison sacramentou uma conquista solidária. Ele foi o oitavo jogador diferente a marcar no torneio. Há 10 dias estava isolado num quarto, com caxumba.

Há um simbolismo em vencer de maneira categórica mesmo sem Neymar. Não há dúvida de que se trata do mais talentoso futebolista brasileiro em atividade, mas há dúvidas sobre como esse repertório já foi mais útil ao jogo coletivo da Seleção do que recentemente.

Além da ausência frequente por lesões, o atacante tem prestado mais serviços a si mesmo do que à equipe. Tite não perde uma chance sequer de colocar Neymar entre os três melhores do mundo, mas sua referência de funcionamento de equipe agora passa a ser outra. A da Copa América, com espaço para que todos brilhem.

Por: Globo Esporte

Link da matéria original: 
https://globoesporte.globo.com/blogs/blog-do-lozetti/post/2019/07/08/analise-selecao-ganha-como-time-encontra-solucoes-e-cria-nova-referencia-para-tite.ghtml

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