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  05/06/2018 às 11h12

Declaração de César Menotti expõe mimimi de sambistas e falta de foco


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Declaração de César Menotti expõe mimimi de sambistas e falta de foco

Saber escolher as batalhas que merecem a nossa energia é uma virtude. Parece frase de Facebook, mas há muita sabedoria nela. Afinal, tem coisa que simplesmente não importa, não faz diferença... e, neste caso, é melhor concentrar nossos esforços naquilo que realmente merece nossa atenção.

Me causa espanto e indignação a comoção em torno da declaração do sertanejo César Menotti, da dupla com Fabiano, feita no Altas Horas, da Globo. O cantor disse, sim, a frase “samba é coisa de bandido”, mas não no contexto que está sendo propagado por aí. Independentemente se ela deveria ou não ter sido feita.

Os sambistas se sentiram indignados, ficaram raivosos e saíram dando declarações descabidas, desproporcionais, até irresponsáveis a respeito do sertanejo, da dupla, do segmento dele. A mídia, em especial a específica do gênero, foi no embalo e propagou o ruído em torno do assunto. Nunca se deu tanta voz diferente em uma única matéria sobre o ritmo.

Como canta Maria Rita, “eu não nasci no samba, mas o samba nasceu em mim”. Ou seja, jamais aceitaria calado uma acusação desse tipo. Mas a questão é que ela simplesmente não existe.

César Menotti soltou a frase como uma piada, fechando uma história do começo da carreira da dupla. Eles relembravam um show dos dois em um presídio, quando os presos pediram para que os irmãos, em vez de sertanejo, cantassem samba. O músico estava mais rindo do sufoco deles mesmos do que apontando o dedo na cara de alguém.

Além da frase ter sido pinçada de um contexto completamente diferente, foi transformada em declaração, em emissão de opinião, o que, claramente não aconteceu. Mas, quando a onda de sambistas raivosos vem rebater o comentário, nada mais fizeram do que propagar justamente a afirmação que eles não queriam que fosse dita.

O que torna a história mais triste é que ela acontece no mesmo dia em que a cantora Fabiana Cozza, de talento inquestionável, se viu obrigada a abandonar a chance de interpretar uma das guardiãs do samba no teatro: Dona Ivone Lara. O pior, ela tomou tal atitude por conta de uma minoria, uma barulhenta minoria que nada mais fazia do que propagar ódio travestido de debate. Mas os sambistas estavam ocupados demais com mimimi em torno de uma bobagem.

Tinha algo muito mais importante que merecia o nosso esforço, que leva o nome de Dona Ivone Lara, a memória dessa nossa ilustre representante.

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E não é só isso. Quantas lutas importantes existem ao nosso redor, passando pela valorização das escolas de samba, da busca por recursos, por espaços para as rodas de samba nas comunidades, quadras para as agremiações, pelo acesso universal à cultura...

O samba sempre foi um movimento de resistência, de luta... e assim é até hoje. Mas é preciso saber em qual batalha estamos. Do contrário, ficaremos restritos aos lugares comuns e vazios do diz que me disse.

Fonte: R7

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